Inteligência artificial e trabalho futuro

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O presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, Pedro Arezes, referiu que a inteligência artificial é «assustadora e entusiasmante» e que já tem uma aplicação «brutal» nas rotinas da sociedade.

Durante o jantar debate organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), o presidente explicou que é uma área com grandes desafios e com boas expetativas.

«A inteligência artificial é a ciência e a engenharia de fazer máquinas que têm uma capacidade de alguma forma inteligente. Trata-se de uma sequência lógica de ações que temos previsto fazer. Quando tenho sede pego na garrafa e deito no copo. São um conjunto de regras mentais que fazemos inconscientemente. No fundo é tentar passar essas regras para um computador», referiu.

O orador contou que a função que há no telemóvel, de carregar num botão que tem um micro, e dita-se a mensagem, é uma forma de inteligência artificial.

«Há um processador que passa a voz para texto. Ou o contrário, pormos o texto e o computador dita em voz alta o que escrevemos», explicou.

Pedro Arezes explicou que o mais comum é haver uma associação a robôs, mais parecidos com a forma humana.

«A forma mais simples de identificar não é num software, é pensar que ele tem uma forma humana e tem essa similitude connosco», esclareceu.

O responsável adiantou ainda que a inteligência artificial «anda aqui há muitos anos»

«Não é nada que anda aqui só nos últimos tempos. O GPS é um exemplo. Primeiro com equipamentos muito caros, mas agora qualquer telemóvel, por mais barato que seja, tem GPS», afirmou.

Outro exemplo usado pelo orador foi os e-mails spam. O próprio computador filtra essas mensagens e deteta quando há fraude, ou «quando são pedidos códigos».

O presidente afirmou que o «computador pensa e reage de uma forma mais inteligente» e que é tempo de pensar «como é que a moral tem de entrar na base da inteligência artificial».

 

O professor exemplificou que, na altura em que apareceu a alfaia agrícola, dizia-se que era o fim dos agricultores. «A mesma coisa irá acontecer na área da tecnologia», referiu.

Na questão dos carros inteligentes, Pedro Arezes falou acerca do dilema do carro ter de “escolher” numa situação de despiste ou emergência se atropela uma mulher com uma criança, um idoso ou a pessoa que está dentro do carro.

Relativamente ao futuro, o orador faz referência que 85% dos postos de trabalho em 2030 ainda não existem.

«A inteligência artificial tende a substituir tarefas rotineiras. Se os computadores começarem a fazer tudo perde-se objetivos de vida. O trabalho faz parte da construção como pessoa», disse.

Pedro Arezes considerou que é um «realista esperançoso» e que há formas de “combater” a globalização excessiva. Como apoiar o comercio local e ter comportamento que se reflitam mais em termos regionais.

O Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, que é também guia espiritual da ACEGE Minho, achou importante a organização destes encontros para dizer «àqueles que acreditam» que «a fé uma luz».

«Uma luz que ilumina e que faz ver a vida e os problemas da vida por mais variados que eles possam ser. É fundamental para nós ver a vida à luz da fé e interpretar essa mesma vida no seu realismo à luz daquilo que se acredita. O Evangelho abre-nos um conjunto de perspetivas e faz com que nós nos situemos diante de determinados problemas com atitudes responsáveis», declarou D. Jorge Ortiga.

O prelado disse ainda que «é fundamental que os cristãos levem a fé para a vida».

«O Evangelho é o local onde somos capazes de encontrar uma explicação para todas as realidades humanas.  O que importa é que os cristãos sintam este gosto e prazer de refletir e pensar para que a fé não seja uma alínea que encerramos dentro da Igreja, mas algo que nos conduz diante dos problemas e dificuldades», concluiu.

O presidente da Associação Comercial e industrial de Barcelos, João Albuquerque, referiu que «para as empresas é um tema importante e que está em cima da mesa».

«Não podemos sair dele. Temos de estar atentos e palestras como estas são fundamentais. Acreditando que trabalho com os valores cristãos, fé e luz enfrentamos as coisas», explicou. A entidade promotora da iniciativa, visa inspirar os líderes «a viver o amor e a verdade no mundo económico e empresarial e com isso a transformar a sociedade».

Texto: Diário do Minho.